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“Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem...."

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Saudade



Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói.  Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua cantando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber, e ainda assim, doer.  
  
Martha Medeiros

3 comentários:

  1. Boa noite, Aline. É um imenso prazer sem considerado novo membro do seu círulo de amigizades. Muito obrigado pela honra.

    Quanto a leitura de meus blogs, fique tranquila. Não tenha pressa. Apenas vontade, quando puder.

    marcobuzetto@hotmail.com
    http://culturamasp.blogspot.com
    http://eusouaske.blogspot.com
    http://sejaoleitor.blogspot.com

    Abraços

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  2. Que linda mensagem Aline!

    Tenho saudades de tanta coisa, e percebo que ela realmente dói mais do que qualquer outra dor.
    Moro distante dos meus pais e amigos, e muitas vezes me pego chorando com tanta saudade deles, que parece nunca mais acabar.
    Mais depois os dias passam, e eu esqueço e depois sempre a volto a sentir.
    Enfim, sei que sempre sentirei saudades!

    É um lindo poema da Martha!

    Beijos e bom fim de semana!

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  3. Olá minha querida amiga Aline!!!
    Outro belo texto de Martha, adorei!!!
    Costumo dizer que a saudade não é de todo um sofrimento ruim, pois a temos de quem gostamos e mais cedo ou mais tarde vamos matá-la, ai ela trás muitas alegrias e paz!!!
    Parabéns pela maravilhosa postagem!!!
    Tenha uma noite maravilhosa!!!
    Abraços e muita paz!!!

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