.

.
“Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Todo encontro que verdadeiramente nos toca é uma espécie de milagre num mundo de bilhões de seres humanos. Algumas pessoas a gente nem imaginava que existiam, mas, meu Deus, que agrado bom é para a alma descobrir que vivem...."

terça-feira, 27 de setembro de 2011



"Aqui só existe o bem. Se você me deseja o mal, 
eu te desejo amor."


(Caio F. Abreu)





A moça do lago


"E você Deus, não vai dizer nada? Como ele era transparente demorei a entender que ele vivia numa espécie de caixão sem portas, que alguns chamam de céu. Retiro-lhe o véu da consciência e o toco para ver se ele reage. Ao menos você, fale comigo Deus. Quero acreditar que em seu infinito silêncio haverá alguma resposta. Tenho engarrafado aviões com vôos metafóricos na tentativa de encontrar uma pista de pouso na vida real. Levante-me do chão. Está caindo a temperatura aqui na terra. As palavras se congelaram em meus lábios, antes que eu pudesse pedir para que você ficasse. Faz tanto frio aqui dentro que não sinto mais as extremidades do corpo. O que vai acontecer quando eu não me lembrar de mais nada? Sem perceber o que fazia, aproximei-me dele e estendi minhas mãos até estar perto o suficiente para poder tocá-lo. Não consegui. Estou petrificada. Olhe nos meus olhos, Pai. Passa um filme de nós aqui dentro. Por mais que eu me esforce só consigo lembrar de mim ainda criança. Eu não posso te ver, mas sinto a tua presença neste momento. Prometa que se eu não desistir de mim agora, o Senhor vai me aquecer. Vai derreter esta neve e transformá-la em um lago que nós dois nunca brincamos. Pode ser que o sol apareça amanhã de manhã e nos encontremos para aquele passeio de barco. Desta vez, ancoraremos num porto seguro. Minha canoa sempre esteve furada. Ainda assim eu seguro firme no leme. Porque no barco da esperança, o que vai contar é a força com que se puxa o remo da fé."


Lidia Martins

sexta-feira, 23 de setembro de 2011




Há a ilusão. A ilusão de que para ser livre temos que estar do lado de fora. A ilusão de que a felicidade é algo á se alcançar, estando, muitas vezes, com ela na palma das mãos. A ilusão de que as cores são mais fortes, os perfumes mais intensos, o mistério mais ao alcance. Há a ilusão de que fora não existem milenares pudores. Há a ilusão de que o permitido ganha dimensões fantásticas da porta pra fora da gente mesmo. E deve ter muita verdade nisso. E por isso, a gente se atira para fora. Fora de casa, fora das regras, fora do contexto ensaiado, fora da alma, fora do quarto como se fosse fora a casa do sonho mais caro. E deve até ser. A gula pela vida, pelo novo, pelo excitante, por mais vida, por ritmo, a busca de algo tão grande que quase parece a procura da gente mesmo. E deve até ser um caminho. Sair pra fora. Mas... depois que a gente sai bastante, descobre, ou melhor, meio que pressente o inevitável. Não é fora. Fora vira dentro quando a gente sai pra fora, e qualquer lugar para onde se vá, haverá mais foras pra buscar. Então vem o olhar para dentro. A gente olha e vê que é grande por dentro. Também é um mundo. Tem muita cor, e perfume e tem uma coisa que só dentro a gente consegue que é um respirar mais profundo que te liga ao mais misterioso dos mundos e finalmente, se relaxa. Quando eu volto pra "casa" eu me sinto no céu. Descobri, ou sondo isso, posso ter todo o mundo dentro de mim, dentro da minha casa. Ansiar não é mais o verbo dominante, cedeu seu trono para " oque dér e viér eu traço", da vida, das pessoas, das sensações, de mim mesma, do cosmos, de Deus. E por fim, depois de tanto procurar, arrisco dizer que o maior experimento que fiz até hoje quanto a sentir-me livre, ocorre dia por dia, na livre aceitação de que todo lugar é dentro e é fora, saber desbravar é um bom caminho. Desbravo-me, e com isso, descubro-me livre. 



(Be Lins)



domingo, 18 de setembro de 2011


 

Encantar-se

Enquanto nos mantemos encantados por algo ou alguém, nosso espírito se mantém elevado e o arrebatamento permanece. Quando o encanto se desfaz, o entusiasmo some e o que nos cativava perde a graça. E sem encantamento não há interesse que resista ao desânimo.


A intimidade é inimiga do sucesso de muitos romances, mas pode ser sua melhor aliada. O ingresso no mundo mais reservado e secreto de uma pessoa pode fascinar ou decepcionar, depende das expectativas e dos conceitos antecipadamente elaborados, que atrapalham o deleite das descobertas e tiram o prazer das boas surpresas. Se nos encantamos, continuamos atraídos pelo outro, e os defeitos não nos assustam, enquanto as qualidades, embora escassas, se engrandecem, justificando aquela presença em nossa vida. Porém, sucessivas decepções desencantam e minam o relacionamento, que acaba.


Encantar-se e, na sequência, gostar e amar profundamente vai do conhecimento breve, que incita a aproximação, à capacidade de extasiar-se com o outro todos os dias, ainda que, de vez em quando, experimentemos a desilusão a respeito de determinado aspecto de seu comportamento. Se não for grave o bastante para causar desencanto e levar ao afastamento, a vida a dois se refaz e o encanto de outrora também. Construir uma história de amor exige equilibrar, acomodar, resolver, e pacificar emoções conflitantes e opiniões divergentes, retomando o velho e bom encanto da relação.


O que faz um casal permanecer junto por décadas senão a disposição de amar, e amar sempre, mesmo que não seja do mesmo modo que no primeiro encontro? Isso é encantar-se com a pessoa amada mesmo que ela envelheça e já não tenha a saúde de que gozava, anos atrás. Então, por encantamento e com amor, achamos que rugas são lindas e não nos importamos, absolutamente, se o corpo não tiver a firmeza e a escultura de antigamente. O tempo altera as formas, mas preserva o encanto, quando há amor.


-

sábado, 17 de setembro de 2011


 

A delicadeza é um dos componentes do afeto verdadeiro: saber esperar o lugar, a hora,a limitação do outro. Observar enquanto se constrói a ponte entre ele e sua própria possibilidade de chegar."




Lya Luft

-

sexta-feira, 16 de setembro de 2011


 

Quanto tempo vale um sonho?
O tempo exato de acordar?
Não, às vezes não é bem assim.
Podemos sonhar durante muito tempo e acordados, mas isso pode ser ruim.
Transformar um sonho em realidade é maravilhoso, mas e quando esse sonho ultrapassa os limites do próprio sonho e passamos a viver numa realidade inventada por nós mesmos?
Aí é que mora o perigo, porque isso dura o tempo exato da decepção.
E o que fazer com o que restou dos sonhos, se continua fazendo parte de nossos sonhos?
Talvez aprendermos que o que importa, na verdade, é o que sentimos no coração.
Desistir? Não.
Basta sonhar com os pés bem firmes no chão.


-

quarta-feira, 14 de setembro de 2011





"Na fé, eu sou capaz de me dizer, com amorosa humildade, que grande parte das vezes eu não sei o que é melhor para mim. Eu não sei, mas Deus sabe. Eu não sei, mas minha alma sabe. Então, faço o que me cabe e entrego, mesmo quando, por força do hábito, eu ainda dê uma piscadinha pra Deus e lhe diga: “Tomara que as nossas vontades coincidam”. Faço o que me cabe e confio que aquilo que acontecer,seja lá o que for, com certeza será o melhor, mesmo que algumas vezes, de cara,eu não consiga entender".


 
Ana Jácomo

-



"Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes
eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que
esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar:
combinei comigo não desistir de mim."



Ana Jácomo

 -

terça-feira, 13 de setembro de 2011




Tem gente que se desculpa por tudo, até por existir. Gente que só pede desculpas por  pura estratégia, para ganhar tempo, avançar no terreno do outro e ganhar a palavra final.

Mas tem gente que se arrepende do que fez, mais do que isso, gente que compreende suas próprias motivações e ações e percebe seus erros, passa a mão no telefone ou escreve um email dizendo: olha, estive pensando, não foi legal quando fiz isso ou disse aquilo assim assado. Isso é digno!

Às vezes acabamos perdendo o amigo e a piada porque passamos dos limites e achamos que o outro tem a obrigação de entender que tratava-se de uma brincadeira ou de um mau momento nosso, somente porque esse outro nos ama, é nosso amigo, pai ,mãe, irmão ou companheiro.

Não tem! O outro não tem obrigação de entender nada. Ele não está no mundo para atender nossas vontades, entender nossos erros, amansar nossas fomes, suscitar nossas crenças e nos doar afeto independentemente de.
Nem nós conseguimos aceitar alguns tropeços que damos, porque o outro teria que ter essa complacência?

Errar é humano, mas se desculpar é divino, no dicionário:
adj.1.De, ou proveniente de Deus.2. Encantador.

Se desculpar é divino, proveniente de Deus, porque nos faz entender que existe algo além de nós: o sentimento do outro, por exemplo.

Pedir desculpas não é se rebaixar, é admitir que erramos e que o outro existe. É uma arte!

Às vezes é preciso tempo! Só mesmo o tempo consegue nos mostrar que estávamos equivocados. Não importa. Não importa se passou um ano, dez anos, cinco meses:  sempre é tempo de pedir desculpas! Quando o tempo passa, tendemos a pensar: 'já faz tanto tempo, para que mexer nisso'? E acabamos não nos desculpando. Grande erro! Grande erro porque acabamos não esquecendo a falha cometida - ela fica ali zunindo o tempo todo em nossa mente e não sabemos se o outro ficou de fato machucado.

Pedir desculpas faz bem para quem escuta e para quem fala. Alivia. Desanuvia. Em alguns casos, pode ser um recomeço. E o melhor de tudo? Não tem efeito colateral!

Experimente!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011


Crônica em homenagem a Caio. F. Abreu




Às 8 horas de 12 de setembro de 1948 em Santiago do Boqueirão,
Rio Grande do Sul, nasce o primogênito de Záel Menezes Abreu e
Nair Loureiro de Abreu, Caio Fernando Loureiro de Abreu.

Hoje se estivesse vivo estaria completando 63 anos.

Sua luz era intensa demais para a terra e ele foi brilhar nos céus,
deixando seus raios luminosos por todos os lugares onde passou.
Fica aqui minha homenagem ao poeta maior,
tão amado e também tão incompreendido no seu tempo
com a violênca e a perseguição da ditadura.
Perseguido por sempre escrever o que sentia e defender o que acreditava,
se criou em torno de sua pessoa uma imagem marginalizada,
mas nunca se deixou intimidar.


"Se foi, mas se fez eterno."


O amor é azulzinho


"E eu que quis fazer de mim algo tão claro como um rio sem profundidade..."
 

"... precisava sair daqui, deste planeta que, tão frequentemente, parece não comportar a sensibilidade."


Caio Fernando Abreu

domingo, 11 de setembro de 2011







...que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você, que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. que seja doce o seu cheiro. que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. que seja doce a ausência do meu medo. que seja doce o seu abraço. que seja doce o modo como você irá segurar minha mão. que seja doce. que sejamos doce...

 

(Caio Fernando Abreu)  sempre ele!


sábado, 10 de setembro de 2011



 
Só o tempo...

O que mais nos dói e atrapalha na morte de quem amamos, de imediato, é o desaparecimento súbito do corpo. Essa repentina falta de assunto para os olhos físicos, bem acostumados que são com o tom da pele, o jeito dos cabelos, os diferentes desenhos de sorriso para cada contexto, a linguagem do olhar, a expressão corporal que cada um tem para falar e silenciar. E também o som da risada, o registro da voz, a textura do abraço, músicas que os sentidos ouvem e correm pra contar para o coração.
Fica, de cara, uma ausência esquisita. Esse estranho fechamento das cortinas quando o show continua a acontecer para nós. Essa inexistência física de um lugar para onde ir que nos permita encontrar o que habitualmente encontrávamos. Até nos darmos conta de que existem outros olhos para ver, a tristeza nos perturba. E dói. Dói muito.
 
Depois que a minha avó morreu, muitas vezes eu me flagrei tirando o telefone do gancho no ímpeto amoroso de ligar para ela para dividir alguma alegria ou algum desconcerto, como eu sempre fazia. Era um embaraço constatar, segundos depois, ao ouvir o sinal da linha, que, pelos meios materiais, não havia um número para o qual eu poderia discar e ela pudesse atender com a voz que era dela.

Somente o tempo me trouxe o conforto de aprender a encontrá-la no meu coração. De ouvir as coisas que ela certamente me diria se pudesse me dizer. De ver e sentir o seu sorriso tão nítido, tão próximo, na minha memória, que faz tudo ficar ensolarado, mesmo quando é cinza o céu do meu momento. Ninguém morre quando continua no outro. Mas só o tempo nos ensina o caminho dessa mágica do amor. Só o tempo, esse cicatrizante.  


(Ana Jácomo)



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011



"A cada vento intenso que soprava,ela erguia os olhos ao “alto”
Colhia um buquê de esperanças e avançava.
Havia muito chão a ser plantado.
O mundo ao qual pertencia ainda
carecia de muitas flores.
"

Arnalda Rabelo





"Felicidade é ter noção da precariedade da vida,
é estar consciente de que nada é fácil,
é não se exigir de forma desumana e,
apesar (ou por causa) disso tudo, conseguir
ter um prazer quase indecente em estar vivo."

 
Martha Medeiros


sexta-feira, 2 de setembro de 2011



"Cada pessoa é única e, por isso, insubstituível. A quem não concordar, imagine o arco-íris sem uma das cores. É no raciocínio e potencialização do outro que pode estar aquilo que não emerge em mim."


 




"Seja alguém simples. Seja algo que você ama e entende. Esqueça o resto, tudo que você precisa está na sua alma… e em seu coração."

         Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Carlos vai combater na Itália durante a Segunda Guerra Mundial e é dado como morto. Mas ele volta ao Brasil e reencontra Isabel, a moça com quem havia prometido se casar. Só que ela, depois de cinco anos de luto, se envolveu com Gilberto para tentar seguir em frente. Os sentimentos ficam confusos. “Se as respostas não estão claras, é melhor ter calma e dar um tempo para a vida – ela sempre sabe o que faz.”

Essa é a história do novo livro de Zibia Gasparetto, A VIDA SABE O QUE FAZ. 


"Terminei o livro em um dia, é uma linda história, que prende e emociona e nos mostra que tudo tem um caminho e a vida se encarrega de nos mostrar, talvez não no momento que gostaríamos, mas no momento que precisávamos saber. Para quem gosta do gênero, recomendo muito!